Infelizmente não achei a matéria inteira na internet. Só tenho o que respondi por e-mail. :T. Foda, isso. Não guardo nada que sai sobre mim.
“O JORNAL DE HOJE – Você é artista plástico. Então, como e quando foi a decisão de começar a escrever histórias em quadrinhos?
Eu tinha já vinha fazendo um trabalho de quadrinho, mas que não costumava dar muita atenção, achava mais diversão mesmo. Ele era distante e ignorante, agora chamo experimental. De uns tempos pra cá eu tenho percebido que a narrativa gráfica já estava no meu trabalho de artes visuais desde o começo. Já existia um diálogo com a linguagem dos quadrinhos. De 2009 pra 2010 rolou uma exposição minha na pinacoteca, ESPANTO GLASSLITE, essa exposição já era arte sequencial, bem perto do quadrinho, mas explorava ele de outras formas: com desenhos direto na parede, usando materias que a galera costuma usar na rua mesmo. A narrativa era construída com a caminhada da pessoa pelo salão. Gostei bastante da experiência, tanto que reeditei agora pra revista. E assim, Dani, me interesso agora por ocupar outros espaços com meu trabalho de artes visuais, que já era multimídia. Tenho outras coisas pra mostrar pra outras pessoas. Por isso, o outro modo. Esse é um trabalho bacana que tem um pouco do que eu já apresentava em exposições, mas mantive ele acessível. Ainda não tenho acordos de distribuição nem esquematizei ainda maneiras de fazer isso pela internet, então o lançamento lá em Nalva é uma boa oportunidade pro pessoal sacar e curtir um pouco o começo da noite.
O JORNAL DE HOJE - Quanto livros você já publicou?
BATEU NA MÃE tem formato de revista. É a primeira que publico. Já fiz alguns trabalhos de ilustração pra outras revistas e publiquei alguma coisa na internet também, mas só agora, à convite de Luiz Élson, tá saindo a BATEU. Faz parte de um projeto grande chamado 1ª Edição, que enfoca a produção recente de quadrinistas do estado. Muita gente experiente e muita gente nova também nos 20 títulos que serão lançados agora dia 15 na Poty Livros da Salgado Filho. É uma boa pra saber do que tá rolando. Tem caras com trabalhos legais sendo reconhecidos fora do estado, mas que ninguém aqui ouviu falar ainda.
O JORNAL DE HOJE - Qual o estilo que você mais gosta de escrever e de ler?
Do ano passado pra cá foi que comecei a fazer minha coleçãozinha de quadrinhos. Leio basicamente quadrinho autoral . To ligado em Mutarelli, Daniel Clowes, recentemente tenho lido umas coisas do Crumb, Alan Seiber, Fabio Zimbres, um ou outro zine que me chega. São poucas editoras que tem coragem de publicar algo novo de verdade em quadrinhos, por isso muita coisa tem rolado no circuito independente. Normalmente ficam reeditando clássicos em edições de luxo logo depois que lançam o filme. Não tem erro, né? Agora que to vendo que perguntou sobre estilo. Ahhaah! O que me atrai nesses caras que citei aí emcima acho que tem a ver com honestidade e a sensação de crueza. Curto quando o quadrinho explode proutros lados. Normalmente me atrai mais produções que exploram mais a imagem e sua relação com o texto. A turma as vezes acha que imagem é só pra deixar o texto mais leve, esquece do que se pode fazer com ela.
O JORNAL DE HOJE - Fale um pouco sobre o “Bateu na Mãe”?
BATEU NA MÃE é uma propósta. Reune em 32 páginas 4 narrativas gráficas, que podem ser lidas como uma só. Tem a ver com violência, sujeira, maternidade, Natal, cultura pop. Tem uma personagem travesti, também… Tá caótica e o papo é torto, mas é assim mesmo. Trabalho com fotografia, desenho, aguadas, manipulação digital e o que achar apropriado pra compor…Tô mais interessado no que ela pode se tornar pras pessoas do no que ela “é”.
O JORNAL DE HOJE – Por que você escolheu esse título?
A expressão veio de um colega artista, Jarbas Jácome, com quem conversei muito rapidamente e ele soltou esta brincando sobre artistas: “Nam! Esse povo que bate na mãe!”. Achei engraçado, guardei. Tem a ver com clima da revista.
O JORNAL DE HOJE – Qual foi a sua grande inspiração e desafio para criar o HQ “Bateu na Mãe”?
Tudo pode ser desafiador. O lance de estar buscando sempre soluções pros problemas que vão surgindo é muito interessante e trabalhoso. Me inspirei muito em cinema, no underground (ou na idéia de). Olhei pra esses tempos de radicalidade emprestada, pra essas figuras que aparecem em Luciana Gimenez pra falar da menina evangélica virgem que tá fazendo um filme pornô. Gosto dos filmes antigos de John Waters, Almodovar, Lynch. Tem o poema processo, popart, youtube, casos sobrenaturais, políticos. E tem também meus amigos e amigas, que não são tão bizarros assim. A inspiração é o desafio de lidar com tudo isto e se sentir vivo.
O JORNAL DE HOJE – O que foi mais positivo e negativo nessa experiência?
Sei lá. Gostei do momento que ela tá vindo. Gostei de poder me vender barato, de poder fazer uma festinha… Gosto do plano de alcançar pessoas que não leêm quadrinho. Gosto da confusão que ficou… Isso é positivo ou negativo?
O JORNAL DE HOJE – Qual (is) o (s) escritor (res) de histórias em quadrinhos potiguares que você admira e indicaria?
Tem a galera da revista maturi, que tem uma boa história no estado e que voltaram a produzir. Mais recente, a revista online K-ótica. Beto Leite e Marcos Guerra, que publicam no projeto 1ª Edição, também tem boas idéias. Tem o Falves Silva, que mexe com quadrinho e poesia visual. Com certeza esqueço alguém. Só indico que se vá atrás que se acha coisa legal, sim.
O JORNAL DE HOJE – Esse seu trabalho simboliza alguma postura ideológica?
Com certeza. Mas não posso falar sobre isso no jornal.
O JORNAL DE HOJE – Na sua opinião, qual é a principal maneira de cativar leitores para esse tipo de leitura?
Produzir quadrinho é só mais um jeito de se relacionar. Permitir ser tocado pelas pessoas é uma maneira de aprender a tocar.
O JORNAL DE HOJE – Qual o melhor mercado de trabalho para um trabalho autoral em quadrinhos, Brasil ou os EUA? Por que?
Parece óbvio dizer que é no exterior. Na europa, no Japão… tem muita gente que consegue se fazer no quadrinho, mas depende do nicho que você pretende ocupar. Procuro maneiras alternativas de fazer o trabalho circular, independente de editoras. Dependente ou independente parece desafiador fazer quadrinho em qualquer lugar. Por outro lado, como o quadrinho tem voltado a ser bacana é natural que o mercado e editoras acompanhem essa onda, que o pessoal vá percebendo artistas novos e disseminando o hábito. Fora a internet, que tem mudado toda a estória.”
















