Entrevista pro Jornal de Hoje de 15 de Fevereiro de 2011 para Dani Pacheco

Infelizmente não achei a matéria inteira na internet. Só tenho o que respondi por e-mail. :T. Foda, isso. Não guardo nada que sai sobre mim.

 

 

“O JORNAL DE HOJE – Você é artista plástico. Então, como e quando foi a decisão de começar a escrever histórias em quadrinhos?

Eu tinha já vinha fazendo um trabalho de quadrinho, mas que não costumava dar muita atenção, achava mais diversão mesmo. Ele era distante e ignorante, agora chamo experimental. De uns tempos pra cá eu tenho percebido que a narrativa gráfica já estava no meu trabalho de artes visuais desde o começo. Já existia um diálogo com a linguagem dos quadrinhos. De 2009 pra 2010 rolou uma exposição minha na pinacoteca, ESPANTO GLASSLITE, essa exposição já era arte sequencial, bem perto do quadrinho, mas explorava ele de outras formas: com desenhos direto na parede, usando materias que a galera costuma usar na rua mesmo. A narrativa era construída com a caminhada da pessoa pelo salão. Gostei bastante da experiência, tanto que reeditei agora pra revista. E assim, Dani, me interesso agora por ocupar outros espaços com meu trabalho de artes visuais, que já era multimídia. Tenho outras coisas pra mostrar pra outras pessoas. Por isso, o outro modo. Esse é um trabalho bacana que tem um pouco do que eu já apresentava em exposições, mas mantive ele acessível.  Ainda não tenho acordos de distribuição nem esquematizei ainda maneiras de fazer isso pela internet, então o lançamento lá em Nalva é uma boa oportunidade pro pessoal sacar e curtir um pouco o começo da noite.

O JORNAL DE HOJE -  Quanto livros você já publicou?

BATEU NA MÃE tem formato de revista. É a primeira que publico. Já fiz alguns trabalhos de ilustração pra outras revistas e publiquei alguma coisa na internet também, mas só agora, à convite de Luiz Élson, tá saindo a BATEU. Faz parte de um projeto grande chamado 1ª Edição, que enfoca a produção recente de quadrinistas do estado. Muita gente experiente e muita gente nova também nos 20 títulos que serão lançados agora dia 15 na Poty Livros da Salgado Filho. É uma boa pra saber do que tá rolando. Tem caras com trabalhos legais sendo reconhecidos fora do estado, mas que ninguém aqui ouviu falar ainda.

O JORNAL DE HOJE  - Qual o estilo que você mais gosta de escrever e de ler?

Do ano passado pra cá foi que comecei a fazer minha coleçãozinha de quadrinhos. Leio basicamente quadrinho autoral . To ligado em Mutarelli, Daniel Clowes, recentemente tenho lido umas coisas do Crumb, Alan Seiber, Fabio Zimbres, um ou outro zine que me chega. São poucas editoras que tem coragem de publicar algo novo de verdade em quadrinhos, por isso muita coisa tem rolado no circuito independente. Normalmente ficam reeditando clássicos em edições de luxo logo depois que lançam o filme. Não tem erro, né? Agora que to vendo que perguntou sobre estilo. Ahhaah! O que me atrai nesses caras que citei aí emcima acho que tem a ver com honestidade e a sensação de crueza. Curto quando o quadrinho explode proutros lados. Normalmente me atrai mais produções que exploram mais a imagem e sua relação com o texto. A turma as vezes acha que imagem é só pra deixar o texto mais leve, esquece  do que se pode fazer com ela.

O JORNAL DE HOJE -  Fale um pouco sobre o “Bateu na Mãe”?

BATEU NA MÃE é uma propósta. Reune em 32 páginas 4 narrativas gráficas, que podem ser lidas como uma só. Tem a ver com violência, sujeira, maternidade, Natal, cultura pop. Tem uma personagem travesti, também… Tá caótica e o papo é torto, mas é assim mesmo. Trabalho com fotografia, desenho, aguadas, manipulação digital e o que achar apropriado pra compor…Tô mais interessado no que ela pode se tornar pras pessoas do no que ela “é”.

O JORNAL DE HOJE – Por que você escolheu esse título?

A expressão veio de um colega artista, Jarbas Jácome, com quem conversei muito rapidamente e ele soltou esta brincando sobre artistas: “Nam! Esse povo que bate na mãe!”. Achei engraçado, guardei. Tem a ver com clima da revista.

O JORNAL DE HOJE – Qual foi a sua grande inspiração e desafio para criar o HQ “Bateu na Mãe”?

Tudo pode ser desafiador. O lance de estar buscando sempre soluções pros problemas que vão surgindo é muito interessante e trabalhoso. Me inspirei muito em cinema, no underground (ou na idéia de). Olhei pra esses tempos de radicalidade emprestada, pra essas figuras que aparecem em Luciana Gimenez pra falar da menina evangélica virgem que tá fazendo um filme pornô. Gosto dos filmes antigos de John Waters, Almodovar, Lynch. Tem o poema processo, popart, youtube, casos sobrenaturais, políticos. E tem também meus amigos e amigas, que não são tão bizarros assim. A inspiração é o desafio de lidar com tudo isto e se sentir vivo.

O JORNAL DE HOJE – O que foi mais positivo e negativo nessa experiência?

Sei lá. Gostei do momento que ela tá vindo. Gostei de poder me vender barato, de poder fazer uma festinha… Gosto do plano de alcançar pessoas que não leêm quadrinho. Gosto da confusão que ficou… Isso é positivo ou negativo?

O JORNAL DE HOJE – Qual (is) o (s) escritor (res) de histórias em quadrinhos potiguares que você admira e indicaria?

Tem a galera da revista maturi, que tem uma boa história no estado e que voltaram a produzir. Mais recente, a revista online K-ótica. Beto Leite e Marcos Guerra, que publicam no projeto 1ª Edição, também tem boas idéias. Tem o Falves Silva, que mexe com quadrinho e poesia visual. Com certeza esqueço alguém. Só indico que se vá atrás que se acha coisa legal, sim.

O JORNAL DE HOJE – Esse seu trabalho simboliza alguma postura ideológica?

Com certeza. Mas não posso falar sobre isso no jornal.

O JORNAL DE HOJE – Na sua opinião, qual é a principal maneira de cativar leitores para esse tipo de leitura?

Produzir quadrinho é só mais um jeito de se relacionar. Permitir ser tocado pelas pessoas é uma maneira de aprender a tocar.

O JORNAL DE HOJE – Qual o melhor mercado de trabalho para um trabalho autoral em quadrinhos, Brasil ou os EUA? Por que?

Parece óbvio dizer que é no exterior. Na europa, no Japão… tem muita gente que consegue se fazer no quadrinho, mas depende do nicho que você pretende ocupar. Procuro maneiras alternativas de fazer o trabalho circular, independente de editoras. Dependente ou independente parece desafiador fazer quadrinho em qualquer lugar. Por outro lado, como o quadrinho tem voltado a ser bacana é natural que o mercado e editoras acompanhem essa onda, que o pessoal vá percebendo artistas novos e disseminando o hábito. Fora a internet, que tem mudado toda a estória.”

 


Finalmente as imagens que tinha prometido

é ligeiro, mas é com amor.

No vídeo estão algumas imagens da minha última exposição individual, Pinacoteca do RN ( 2009-2010). Fazia parte do projeto “Panorama das artes visuais – RN 2009″ junto com outras 3 exposições: Jean Sartief, Alexandre Gurgel e Ricardo Cerqueira.   Aconteceu do prédio entrar em reforma e sem qualquer aviso tive a exposição suspensa por muitos dias. Aqui vai uma amostra, já que todo mundo ficou sem ver. Gostaria de mandar um beijo grato e “da xuxa” pros meus amigos e familia, que também são motor das minhas experiências com arte.

Estou na revista online catorze: http://revistacatorze.com.br/2011/vinicius-dantas

Noite 15 de fevereiro tem lançamento da minha revista de quadrinho, “BATEU NA MÃE”, na Potylivros da Salgado Filho. Nesse dia serão lançadas outras várias revistas do projeto “Primeira edição”, organizado pelo amigo e professor Luís Elson.

Na noite do dia 16 acontece lá em Nalva Melo café salão o lançamento individual da “BATEU”. A revista vai estar sendo vendida à somente 5 reais. Quem comprar a revista ganha o passe pra curtir umas horas com a banda ALIENTV (http://www.myspace.com/thealientv) e mais algumas surpresas (até pra mim).  Venha curtir com a sua turminha!

Bjo!


do quadrinho.. antes da estória

  Na minha tentativa em disponibilizar mais coisa sobre a exposição, resolvi criar esse blog  aqui. materias que por acaso saíssem em jornal + umas pistas dos “comos” e “porquÊs” de se FAZER. derrepente alguma maneira de trocar ideia com quem tivesse afim…

de antes(como surgiu o quadrinho)

 era vontade de brincar, tirar onda mesmo. então chamei mossoró, que ja tinha falado da vontade de criar alguma coisa comigo.  pedi pra ele escrever alguma coisa sobre para postar.

Mossoró(joão aureliano): “…eu entrando com o roteiro, ele com a parte visual. O grande problema é que eu nunca fui um cara de atitudes muito concretas. Até que nos reunimos numa tarde dessas na arquibancada do campo do CEFET e as bases para o ‘espanto glasslite’ foram surgindoA história tem traços de nós dois, só que mais dele, porque eu tentava bastante pensar como ele, pra que as coisas conseguissem se encaixar. Depois da concepção das raízes, fomos cada um pra um lado, e o combinado era que eu montasse um roteiro, coisa que eu nunca tinha feito mas achava que conseguiria fazer. Eu, como negligente que sou, acabei não dando conta do trabalho, e entregando algo bem meia boca, que Vinicius deu um trato bem legal deixando o trabalho dez vezes mais consistente. No fim das contas, o resultado final ficou ótimo, e foi muito bom trabalhar com ele, espero que se houver uma próxima vez eu possa me doar melhor.”

Eu(vinicius): confeço que é pra mim ainda dificil desenvolver maneiras de se produzir em conjunto, mas no fim é sempre bom trocar idéia. a princípio consideramos uma publicação que sairia com um edital especifico para quadrinhos.  mas no meio veio a constatação de que o que estavamos fazendo não serviria para receber prêmios na cidade.  foi bem prazeroso descobrir isso –  um bocado pelo meu tesão pelo ”marginal”, que ja ta claro nas minhas outras experiências com arte sequencial.  sem querer convencer ninguem de nada, to muito satisfeito em identificar afinidades com a produção de caras que teem me divertido muito: lynch, mutarelli, daniel clowes e jonh walters… perigosamente, o doentil e monstruoso desses caras tem de certa forma me servido de motivação. AH ! mas há um detalhe importante: a estórinha da exposição é a primeira que exponho com um cuidado maior com o leitor. daí vc tira as outras haehah agora continuo pensando noutros suportes “materiais” para essas narrativas. ou serão mesmo impublicáveis?

bem, fico devendo os registros da montagem da exposição.  obrigado e um beijo para todos


desabafo desorganizado

Natal em natal, insiste a prefeitura. Atrair turistas para cidade do sol.muita diversão para essa turminha que adora tudo isso. Ama muito. E veio para virar camarão e pegar mulata.  essa “virtuose” natalina que veio junto com micarla foi  ineficiente só pros turístas?

  A exposição com o título do blog e outras de mais 3 artistas, que abrigavam a pinacoteca, foram suspensas. Dizem até o fim de março. Os artistas ja um pouco acostumados  a se “articular” nesse “circuito” dizem que é isso mesmo, que ainda não vi da missa um terço… e é isso?

um aborto mais no natal. só mais um


convite


no jornal

1

http://www.novojornal.jor.br/24122009/24cul14.pdf

2

Quarteto fantástico das artes visuais

http://tribunadonorte.com.br/noticia/quarteto-fantastico-das-artes-visuais/136390

Publicada em 31/12/2009 às 00:00:00

A exposição apesar de ocupar o mesmo espaço, a Pinacoteca do RN, no Palácio da Cultura, não é uma coletiva, mas quatro individuais. As exposições estão ligadas ao Prêmio Thomé Filgueira, no qual os respectivos artistas foram premiados em 2008, que este ano não aconteceu.

 Cada um dos artistas ocupa uma sala e mesmo com temáticas diferentes é possível perceber um diálogo entre as poéticas apresentadas permeadas pelo cotidiano de nossa cidade. Para os artistas o fato da exposição acontecer na Pinacoteca é significativo em virtude de que a ‘casa das artes visuais’ estava há muito tempo imersa num marasmo sem programação depois que a governadora requisitou o prédio para ser sede administrativa por um longo inverno. Atualmente, além dos quatro artistas, a Pinacoteca oferece uma mostra com 30 artistas que compõe parte do acervo valioso que possui através do projeto Acervo em Movimento, pensado para discutir as artes visuais nas escolas públicas da cidade,

 Jean Sartief, poeta, agitador, fotógrafo e artista visual de primeira linha, sendo um dos únicos artistas potiguares a ganhar em um único ano (2008) todos os prêmios da cidade apresenta um trabalho imerso em reflexões sobre o homem, o domínio do tempo, a cegueira urbana cotidiana e o meio ambiente. Seu trabalho baseia-se em uma poética e laborativa pesquisa sobre a comunicação urbana. É a partir de um contato com as pessoas na rua que o artista recolhe mensagens que são trocadas com outras pessoas e vão compondo uma trajetória do pensamento popular.  A exposição de Sartief, intitulada E adianta? brinda o público com fotografias que saltam aos olhos na composição entre o corpo, o meio ambiente e um fragmento das frases trocadas nas ruas de Natal.

Vinícios Dantas consegue atravessar-nos em sentimento crítico na narrativa gráfica que apresenta nas paredes de uma das salas da Pinacoteca.  O artista constrói a história de um estranho menino fosforescente (meio duende meio monstro) que começa a se multiplicar pela cidade (alguém lembra de nossa decoração natalina?). A prefeita da tal cidade imaginária desenvolve uma vacina que impedirá a proliferação das criaturas, mas o efeito é devastador e acaba provocando 211 abortos. O artista expressa toda uma insatisfação através de seu traço.

Ricardo Cerqueira cria um ambiente repleto de nossa poética do tempo e reaviva o espaço vivencial da memória. Com um longo trabalho de pesquisa acerca do processo de oxidação e impressão, o artista constrói telas e objetos que remetem a essa passagem do ser humano sobre as coisas, em especial, alude também ao efeito do tempo e à maresia.

Alexandre Gurgel também se apropria da cultura urbana para criar um grande painel colorido nas paredes de sua sala, onde vários elementos surgem criando uma caótica ordem permeadas por um frango assado, também comuns nos canteiros da cidade, e que vão ocupando todo o espaço. As associações afluem em nossa mente e inevitavelmente fazemos um paralelo com hábitos e costumes.


Espanto glasslite

Por volta de 2004 se espalhou na cidade a história de um bebê macabro que profetizava uma catastrofe no midway. Ele tinha dentes afiados,3 olhos, cabelo na lingua, bigode, e alguns diziam ter metade direita ou esquerda do corpo envelhecida. Nascera em Parnamirim ou Natal ou macaíba. Gugu ou mãe diná ja teriam anunciado sobre seu nascimento. quando o médico obstetra olhou pro menino e deixou escapar seu espanto o bebê respondeu imediatamente: “feio é o que vai acontecer no midway tal dia”. e morreu na hora. virou fogo ou pó e cabou-se.

as paginas abaixo serviram de base para a execução da narrativa nas paredes da pinacoteca, que fica até o fim d fevereiro. leia, imprima, copie, rasgue, comente, destrua ou imite: faça o que quiser com essa versão do conto natalino.

*Nenhuma das personagens existe de fato


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